terça-feira, 23 de março de 2010

PEDRO; A FORMAÇÃO DE UM GRANDE DISCÍPULO - MARCOS 16.7




INTRODUÇÃO:

Raramente se ouvi preleções concernentes a vida de Pedro e quando ouvimos geralmente se enfatiza o seu lado frágil, que o identifica como um covarde. É esta a imagem que temos a respeito de Pedro, e nossas crianças também são ensinadas quase da mesma forma. De maneira que se você perguntar a uma criança na E.B.D alguma informação sobre Pedro, provavelmente a resposta será; Aquele que negou Jesus.

Em fim, todo este aspecto negativo da vida de Pedro nos faz esquecer que é o que mais aparece nos evangelhos e mesmo com os seus erros e fracassos podemos extrair lições valiosíssimas e aplicá-las à nossa.

Sua ousadia, seu temperamento sanguíneo, sua determinação, suas dúvidas e muitas outras características que envolvem a pessoa intrigante desse nobre apóstolo, nos farão compreender melhor a razão pela qual Pedro não terminou sua carreira como um simples pescador, indouto de conhecimento. Mas como um homem que aprendeu a tirar lições com seus erros e usá-las para tornar-se um dos mais nobres líderes do rebanho do Senhor. Um mestre da palavra e conservador das doutrinas ensinadas por Cristo.

Nesta ocasião quero meditar um pouco com você sobre alguns traços da vida deste homem que se tornou um dos principais representantes do cristianismo de sua época. Um humilde pescador que ultrapassou as barreiras dos questionamentos e dúvidas e tornou-se um grande discípulo, seguidor de seu Mestre e o melhor, um grande discipulador.

E um dos primeiros pontos a ser tratado no processo da formação do seu caráter segundo a imagem do seu mestre é;

1. O SEU CHAMADO – Mc 1.16-18

“E Jesus disse; vinde após mim, e eu farei que sejam pescadores de homens. E, deixando logo as suas redes, o seguiram.” vv.17,18

Como vimos, Pedro era um homem simples, comum e morava numa região pobre da Galiléia, vivia da pesca e com ela sustentava sua família. No entanto não hesitou em atender ao chamado do Mestre. Uma vez que este lhe fizera uma promessa. Promessa essa que resultaria no grande apóstolo que ele se tornaria. Uma promessa que envolveria todas as suas habilidades, experiências e até mesmo as suas limitações no grande trabalho ao qual o Senhor Jesus lhe comissionara. Uma promessa que requereria um grande esforço de sua pessoa, e com a paciência indescritível de Jesus para trabalhar seu caráter e envolvê-lo num processo de transformação que resultaria no cumprimento de tal promessa, a de ser feito literalmente um pescador de almas com a rede do evangelho para o Reino de Deus.

Um aspecto a ser mencionado no seu chamado, é a sua determinação. Uma determinação que retrata todo o seu perfil, o tipo certo de pessoa para trabalhar na árdua tarefa de proclamar o evangelho. Uma determinação que refletia todo o seu caráter no seu processo de formação discipular. Uma confiança inimaginável vinda de um homem sanguíneo, exausto pelo calor do sol e das ondas do mar.

No entanto, aquele que o chamara tinha algo melhor e mais sublime para a sua vida. Embora Pedro com certeza não tivesse se quer, uma noção do que lhe aguardava. Mas que resultou no primeiro passo para que Jesus começasse a moldar o seu caráter e trabalhar suas habilidades para então o envolver no seu plano de salvar as pessoas dos pecados.

Em Mateus 10.1 vemos que Jesus após nomear seus dozes discípulos, dos quais Pedro era o primeiro (v.2) lhes dá poder e autoridades sobre os espíritos imundos, sobre as enfermidades e todo mal. Era com este poder que a vida de Pedro seria revolucionada no final de sua formação como seguidor de Cristo Jesus.

Meus queridos, este foi um aspecto extraído da vida de Pedro pelo qual gostaria de impulsionar você a não desistir da jornada cristã. Se você tem um chamado, não são os teus erros, as tuas falhas que serão motivos para te impedir desta nobre missão.

Não é as tuas limitações que irão delimitar o teu nível de comunhão com Cristo e até mesmo o teu sucesso ministerial. Pois como diz certo ditado; saboreie o peixe, deixando as espinhas de lado. Ou seja, os teus erros e falhas são corrigidos por aquele que te chamo e te perdoa de todos os teus pecados (1 Jo 2.1). As tuas limitações são quebradas por Cristo que ultrapassou os limites da vida humana e nos fez mais que vencedores, e nada nem ninguém nos impedirá de ser amado por ele.

Portanto meu santos, aquele quem vos chamou é poderoso parta fazer muito mais do que pedimos e pensamos e que começou a boa obra é o mesmo que completará até que chegues à estatura dede varão perfeito. Tão somente faça como Pedro, ouse, tenha determinação, encare teus erros, corrija-os e extraia as lições necessárias para o teu crescimento espiritual e tua capacitação ministerial na seara de Cristo. Pois seguindo a Cristo estarás seguro no caminho que te conduzirá a vida.

2. AS SUAS FALHAS – Mt 26.69 – 75

“E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera; antes que o galo cante três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.” V.75

Pedro era um discípulo dedicado, que buscava exercitar a fé, embora demonstrasse um pouco de volubilidade, como levou o incidente em que Jesus andou sobre a água. Ele admitia sua ignorância e a própria pecaminosidade (Mt 15.15) e quando tinha dúvidas fazia muitas perguntas (Jo 13.24). Apesar de receber uma revelação divina a respeito da identidade de Jesus, rejeitou qualquer noção da sua morte, uma atitude que Cristo atribuiu ao próprio diabo.

Pedro é lembrado por contradizer Jesus quando este falou que os discípulos o negariam. Assim como os outros, replicou que estava disposto a morrer e jamais negaria o Mestre (Mc 14.29; Jo 13.36-38). Falhou em vigiar e orar junto com Jesus, apesar do aviso de que o espírito estava preparado, mas a carne era fraca (MT 26.37-44) no momento da prisão de Jesus, numa atitude impetuosa, cortou a orelha de Malco, empregado do sumo sacerdote (Jo 18.10).

No pátio da casa de Caifás, a determinação de Pedro entrou em colapso, não adiante de um tribunal, mas da pergunta de uma jovem empregada. A enormidade de sua negação, em cumprimento à profecia de Jesus de que ela aconteceria antes do amanhecer do dia seguinte, fez com que ele chorasse amargamente (Lc 22.54-62).

Sem sombra de dúvidas, como mencionado na introdução, não há maior menção das falhas de Pedro do que a sua negação de Jesus. Foi este ato que o marcou como um fracassado. Um mísero pescador chamado pelo Mestre Jesus para aprender as palavras de vida, perde uma oportunidade dessas resultando num misero covarde.

Mas nós não devemos nos esquecer de que toda a vida de Pedro foi um processo de aprendizado e de transformação do seu caráter. E que estamos estudando os pontos positivos de sua vida que contribuíram para que ele se tornasse um dos mais nobres discípulos de Cristo. E por inacreditável que pareça, o episódio em que ele negou conhecer Jesus por três vezes nada mais era do que um cumprimento das palavras de Jesus.

Eu não negaria você não negaria. Quem negaria conhecer um homem que transformava um velório em festa; que trazia a alegria de viver a um pai aflito pela morte da filha ou a de duas tristes mulheres pela morte de seu irmão. Um homem que por onde passava gerava admiração, mesmo que em meio ás discussões e críticas era um homem intrigante e maravilhoso. Um homem que saciava a sede e supria a fome dos que lhes seguiam. Quem o negaria? Você negaria aquele que te chamou para segui-lo e fazer de você uma nova pessoa com boas expectativas e esperança para o futuro?

Certamente que não! Era este o mesmo pensamento de Pedro, no momento nem ele nem os demais discípulos negariam. A verdade é que mesmo de forma direta todos negaram a Jesus. Onde estavam eles quando prenderam Jesus? Quando Jesus estava sendo massacrado pelos açoites dos carrascos? Quando levava a sua cruz sobre as pedras de uma rua que viria a ser conhecida como a via dolorosa? Onde estava quando estava fincando as mãos e os pés de Jesus naquela cruz? A diferença é que Pedro negou com palavras, os outros foram tão mais covardes que se quer há espaço nas escrituras para mencionar onde eles estavam, mas também isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito por Isaias; que ele pisou o lagar sozinho.

Ter medo, dúvidas, questionamentos não é errado para quem é discípulo. Pois faz parte do aprendizado. E sem erros não há correções, sem dúvidas não há compreensão, sem questionamentos não há respostas. Todas estas falhas fazem parte de um processo de um grande discipulado. Você foi chamado. E talvez tenha tentado desistir porque você não se libertou ainda de algo do passado. Hei, aquele que te chamou é o dono do poder, é o dono do perdão. Ele é perito em concertar erros, em tirar dúvidas e o melhor, de apagar o passado.

E este o último ponto na formação de um grande discípulo que quero analisar com você;

3. A SUA RESTAURAÇÃO – Mc 16.7; Lc 24.11,12; Jo 21.15-19

”Mas ide, dizei aos discípulos e também a Pedro...”

Marcos nos informa o ponto “x” do início da restauração de Pedro. Imagina a decepção em que ele se encontrava. Havia negado aquele que lhe chamou, dando-lhe poder e autoridade fazendo por meio dele muitos sinais e maravilhas. Na sua mente talvez devesse estar passado o filme aterrorizante do momento em que o galo canta como uma voz de acusação, apontando para o sinal de que ele não prestava, não tinha jeito, era um caso perdido. Só lhe restava tão somente, chorar amargamente.

Mas, Jesus, aquele que o chamou o conhecia mais do que ninguém, sabia de cada um dos seus pontos fracos, tanto é que previu que Pedro o negaria três vezes. E ninguém mais do que Jesus para tratar dessa ferida na alma de Pedro. Eis a razão de Jesus mandar avisar aos discípulos e a Pedro, pois sabia do complexo pelo qual Pedro estava passando e queria tratá-lo.

Marcos não nos informa mais Lucas menciona com bastante precisão a atitude dos discípulos em contraste com a de Pedro ao receberem a notícia das mulheres. Observe;

“E as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não creram. Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro e, abaixando-se viu só os lenços postos ali, e retirou-se, admirando consigo aquele caso.” Lc 24.11,12

Eu me alegro ao ler esta passagem, pois embora Pedro estivesse arrasado com sua atitude, ainda prevalecia no seu caráter aquilo que era necessário para se tornar um grande discípulo, a mesma determinação que atendeu ao chamado de Cristo quando estava pescando era a mesma que o fez agir diferente dos dez discípulos que com ele estava. Levantou-se e foi ao sepulcro, chegando lá nada encontrou senão os lençóis, mesmo assim voltou maravilhando com o que vira.

Em João 21.15-19 vemos um particular entre Cristo e Pedro, o ápice de sua restauração e o ponto que o conduziria a marcar a história do cristianismo. Jesus por três vezes indaga-o concernente ao seu amor, fazendo-o confessar com sinceridade. Pedro se entristece por ter Jesus lhe perguntado pela terceira vez; se ela não o amasse, certamente ela reconheceria e declararia que não o amava mais do que os outros. No entanto, ele simplesmente baixa sua cabeça e declara que O senhor Jesus sabia, daí Cristo lhe entrega o cajado nas mãos comissionando-o a cuidar do seu rebanho.

De fato tal restauração é demonstrada em Atos, pois foi Pedro quem proclamou o Evangelho no dia de Pentecostes, quando aproximadamente 3.000 judeus de Jerusalém e da diáspora foram salvos. Além da cura do coxo de nascença no capitulo três. Da conversão da casa de Cornélio e muitos outros casos que demonstram o processo final de um discípulo que se tornara um dos maiores discipuladores da Igreja cristã.

Como andas? Decepcionado com si mesmo, por erros e falhas do passado? Achando-se incompetente de realizar aquilo para o qual foste chamado? Hei, levanta a cabeça, olha para o sepulcro e veja que o teu Cristo vive e manda te chamar novamente. Não hesite em atender a este chamado, tenha um encontro com ele, um particular e desabafe suas lamúrias suas decepções e amarguras que ele te restaura nesta hora e te entrega poder e autoridade, para que assim como Pedro, tu possas cumprir com sucesso o teu ministério, sem frustrações mas com frutos de justiça.

CONCLUSÃO:

Eu não poderia concluir esta mensagem de outra maneira senão a de fazer um apelo. Primeiro para você que ainda não teve um encontro pessoal com ele. De que Jesus é o dono da vida e tudo o que há você certamente já sabe de berço. Mas talvez pergunte por que tanto mal, tanto sofrimento se ele é dono de tudo o que é bom?

Quero lembrar-te de que o sofrimento também faz parte do aprendizado; até Cristo passou pelos mesmos males que você e eu passamos; chorou ao ver a carência de Jerusalém, ao sentir a perda de um amigo, Lázaro. Foi tentado no deserto por Satanás, teve sede, fome, foi caluniado, criticado em fim, passou por tudo e, no entanto, segundo as Escrituras foi obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou.

O mesmo ele fez com Pedro, levantando-o como um profeta para a sua geração. De um humilde pescador à um grande ganhador de almas; de um mísero fracassado e covarde à um grande conquistador de vitórias e de sucesso ministerial. Deus é quem te chama, é quem cuida de você, é quem te levanta do pó. Deixa-o controlar tua vida.

Mas também a você, que já aceitou o convite e o chamado de Cristo. E se por algum motivo ou frustração do passado ou do presente andas desanimado e desacreditado do teu chamado, saiba que El não desiste de você. Assim como se lembrou de Pedro, ele se lembra de você, ele te conhece e sabe de todas as tuas limitações, tão somente deixa-o tomar a direção da tua vida e fazer-se novamente um campeão, e lembre-se que ele te deu poder e autoridade e que nada e nem ninguém pode te separar do amor dele.

Lembre de que após particular que Cristo teve com Pedro após a ressurreição, ele encerra o seu tratamento com as seguintes palavras; Segue-me! (Jo 21.19).

Siga-o e tenha a certeza de serás um grande embaixador dos céus aqui na terra e um grande arauto de Deus para anunciar a salvação e fazer discípulos por onde andares. AMÉM!!!

Seminarista Járber SOUSA
Vargem Grande Paulista-SP, 23 de Março de 2010

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